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Chat com Ricardo Graça Mello
(12/9/2008)


Moderador 10:25:05
Cèline Imbert e Ricardo Graça Melo - Imagem/DivulgaçãoRicardo Graça Mello
Ricardo Graça Mello está em cartaz até 19 de outubro, em São Paulo, no Tuca, com o espetáculo Noé Noé! Deu a Louca no Convés. Com direção geral de Ivaldo Bertazzo, a montagem retoma o teatro musical brasileiro. Ao recriar o ambiente de um cais, onde um transatlântico de luxo se prepara para partir com um grupo inusitado de passageiros, a peça mostra como, na intimidade de seus camarotes, os personagens vão revelando quem realmente são. No convés, descobrem que cada um está com um destino diferente e o navio está sem rumo. Fantasmas vão revelando a eles suas frustrações e traumas.

O espetáculo, que é permeado por canções da MPB, da Broadway e da própria produção nacional a partir dos anos 1950, traz referência ao antigo teatro de revista, fazendo com que as trocas de cenário e ações de bastidores sejam visíveis aos espectadores.

Filho de Marília Pêra e Paulo Graça Melo, Ricardo Graça Melo é ator e cantor. Por influência da mãe começou, ainda adolescente, a atuar. Seu primeiro personagem foi o Pepeu, no filme Menino do Rio, em 1981. Como cantor, além de fazer shows solos, ele integrou o coro do espetáculo Marília Pêra canta Carmem Miranda, em 2006, e desde o ano passado, Ricardo é o protagonista do musical Um Lobo Nada Mau, com direção de Marília Pêra.



Moderador 14:26:21
Juliana diz: Olá, Ricardo. Você pode nos falar sobre a peça Noé Noé! Deu a Louca no Convés?


Moderador 14:33:47
Isabela diz: Como surgiu o convite para você participar do Elenco? Você já conhecia o Ivaldo?


Moderador 14:37:12
Edson diz: A peça retoma o teatro musical brasileiro e faz referência ao teatro de revista. Isso faz com que a montagem fique mais complexa?


Moderador 14:37:29
Sérgio diz: Quem é o seu personagem? Como foi o processo de concepção dele?


Ricardo Graça Mello 14:38:33
Juliana, a peça é um musical do Ivaldo Bertazzo, junto com a companhia de dança dele, a Cia. Teatro Dança Ivaldo Bertazzo, e com alguns atores e cantores convidados, como eu. A peça se passa na época do Titanic, no começo do século 20, nos anos 1900. É um navio que vai partir. A peça é inovadora em alguns sentidos. Um transatlântico de luxo se prepara para partir com um grupo inusitado de passageiros. Mas começamos a ensenar antes mesmo de o público entrar na sala. Os personagens passam pelo hall - já mostrando o embarque no transatlântico.


Ricardo Graça Mello 14:40:00
Isabela, a minha mãe já tinha feito dois espetáculos com o Ivaldo. Eu pirei com o trabalho dele. A minha mãe estava no elenco no início do projeto, mas por uma questão de incompatibilidade de agenda, ela não pode continuar no projeto. Eu recebi o convite do próprio Ivaldo.


Moderador 14:40:27
Déia diz: Ser filho da Maríla Perâ e do Paulo Graça Melo foi fundamental para que você entrasse no meio artístico?


Ricardo Graça Mello 14:40:32
Edson, eu acho que não. O complexo, no meu caso, são as coreografias porque sou cantor e ator. Não danço como os meninos da Cia. do Ivaldo.


Moderador 14:41:35
Mila diz: Você pode falar do início da sua carreira?


Moderador 14:41:41
Thá diz: Quanto tempo a peça demorou para ficar pronta?


Ricardo Graça Mello 14:43:14
Sérgio, eu faço três personagens. Começo como um cientista, depois eu faço um showman do navio, em que faço uma homenagem ao Fagner e o terceiro personagem é um mecânico. Foram três meses de ensaio. Foi um período muito rico. Cada personagem teve uma criação diferente. O personagem showman foi bem bacana porque tive uma liberdade para criá-lo. O Ivaldo sempre ouvia as minhas sugestões.


Ricardo Graça Mello 14:44:41
Déia, da Marília com certeza. O meu pai morreu com 29 anos. Mas, pelo fato de minha família inteira vir do teatro e da televisão, eu não tive muita escolha (risos). O mundo das artes acabou sendo o meu caminho naturalmente.


Moderador 14:45:56
Gi diz: Quantas pessoas estão no elenco? É difícil trabalhar com uma equipe tão grande?


Moderador 14:46:04
Renata da Rosa diz: Ricardo, gostaria de saber se é mais difícil dançar e decorar a peça ou simplesmente fazer uma peça normal?


Moderador 14:46:44
João diz: Qual o papel mais marcante da sua carreira? Você consegue escolher um?


Ricardo Graça Mello 14:47:40
Mila, eu comecei em uma novela na rede Tupi, em 1967. Eu era bem novinho. Chamava Um Gosto Amargo de Festa. Eu era louco para receber o meu primeiro cachê para poder comprar um brinquedo. Logo em seguida, comecei a participar de musicais. Quando eu tinha 17 anos, fui convidado pelo Nelson Motta para participar do Mistura Fina, um grupo que se apresentava no Morro da Urca, no Rio de Janeiro. Nessa mesma época, parrticipei do filme Menino do Rio, que deu uma reviravolta na minha carreira porque o filme teve uma bilheteria muita boa. Eu cantava a música De Repente Califórnia, que teve uma repercussão muita boa.


Moderador 14:48:01
Val diz: Qual é a maior dificuldade de fazer teatro no Brasil?


Ricardo Graça Mello 14:48:20
Thá, quatro meses. Mas a peça não está pronta até hoje. Todo dia a gente muda alguma coisa. E é isso que é fascinante no teatro.


Ricardo Graça Mello 14:49:45
Gi, eu já estou acostumado com isso. Já fiz espetáculos com muitas pessoas - porque não é só o pessoal que está em cena, tem também o pessoal que trabalha por fora. Nós somos mais de 40 pessoas.


Moderador 14:50:27
Lili diz: As pessoas vão pouco ao tetro. Você acha que existe preconceito?


Ricardo Graça Mello 14:51:10
Renata da Rosa, para mim é mais difícil dançar. Os meninos do Ivaldo são maravilhosos. Eu já tenho facilidade em decorar texto por causa dos outros trabalhos. Eu faço alguns personagens do Zorra Total de vez em quando. Eles normalmente me ligam meio em cima da hora. Tenho que decorar o texto muito rápido. Acabei me acostumando com isso.

Continua